Já escrevi sobre as possibilidades de viagens no tempo antes aqui.
Porém, recentemente, algumas sincronicidades têm me despertado para diferentes
entendimentos.
As leituras de tempo e espaço dão margens a várias interpretações.
Inicialmente se convencionava pensar no tempo como uma sequência linear de
acontecimentos e que a “viagem no tempo” consistia na possibilidade de saltar
do ponto presente para um ponto do passado ou do futuro nessa linha temporal.
Depois, com a hipótese dos universos paralelos, viajar no tempo
assemelhou-se mais à idéia de uma viagem transdimensional do que a um
deslocamento temporal propriamente dito.
Não sei o quanto de besteira há nas palavras que estou usando, mas, da
maneira como percebo agora, convém-me entender o homem como um ser
multidimensional.
Tudo está acontecendo ao mesmo tempo, AGORA.
Na ultima sexta-feira deleitei-me via TV a cabo com o filme “O Congresso Futurista” (The Congress – 2014).
No filme a atriz Robin Wright interpreta uma alegoria de si mesma, uma atriz em
fim de carreira que aceita passar por um processo de escaneamento do próprio
corpo e assim ter suas imagens eternizadas em filmes digitais que dispensariam
a sua atuação. Até aí a obra levanta uma série de polemicas como o culto da
juventude, a ditadura cultural das empresas cinematográficas, etc. Porém, o
surreal acontece quando vinte anos depois a mesma atriz é convidada para o tal
congresso futurista. O cinema se alia às indústrias farmacêuticas. Criam
substâncias que permitem a qualquer um viver o que desejar, como numa tela, ser
qualquer personagem que quiser, mas de forma ainda mais real: em sua própria
mente. Já escrevi aqui sobre as
analogias entre o funcionamento da mente humana e a arte do cinema. Mas a idéia
da mente ser a chave é que me interessa agora.
Recentemente, em “Lucy” (2014) a estonteante Scarlett Johansson tem seu
processo evolutivo tremendamente adiantado a partir da ingestão acidental de
uma poderosa droga, chegando em questão de horas a desenvolver a onipotência de
uma deusa.
A idéia veio antes no maravilhoso “Viagens Alucinantes” (Altered States
– 1980) em que Willian Hurt tenta descobrir o “eu original” a partir de
experiências de estado alterado de consciência com drogas e câmaras de privação
dos sentidos.
E quanto maravilhado fico quando, na manhã de sábado sou brindado com o
documentário “A Psicodélica Mente Humana” (Dirty Pictures – 2010), em que sou
apresentado à curiosa figura de Sasha Shulgin, o inventor do MDMA, e sua adorável
esposa Ann.
A chave é a mente. Ou melhor, os cadeados estão na mente.
O homem é um ser multidimensional, vive AGORA todas as dimensões
possíveis, mas só tem consciência da quantidade de informações que sua
maturidade permite suportar.
Exatamente agora, quando você decidiu continuar lendo este artigo, uma
série de reconfigurações se fez na linearidade da sua consciência. As outras
possibilidades não deixaram de existir. Levantar para urinar, mudar a tela do
computador para um site de pornografia, desistir dessa leitura e ir ver novela.
Tudo está acontecendo ao mesmo tempo agora. Mas sua escolha direcionou o foco
da sua consciência para a leitura deste artigo. Todas as outras realidades, ou
possibilidades, ficaram na escuridão da inconsciência, mas não deixaram de
existir.
O que os estados alterados de consciência fazem, sejam disparados por
uma droga psicodélica, sejam por técnicas de respiração ou meditação, é abrir os
cadeados da mente. Ampliar o espectro da lanterna da consciência. Incluindo aí
a percepção de realidades alternativas.
Dr. Shulgin dá relatos no documentário de suas experiências com drogas
experimentais e fala não só de experiências de alteração temporal como também de
experiências de onipotência mística, mas ele não fala de um “barato” de um
velho alucinado. Ele revela sim a riqueza de experiências reais e o medo de
permanecer nesse estado de consciência ampliada.
Veja aqui: https://youtu.be/qXHyKyoHJzo
Veja aqui: https://youtu.be/qXHyKyoHJzo
Maturidade é assumir responsabilidades. A maioria dos seres não está
preparada para essa escolha. Por isso vivemos na tridimensionalidade, onde o
tempo é linear e o espectro da consciência é restrito.
Tudo está acontecendo ao mesmo tempo agora. Passado, presente e futuro,
conjuntos de possibilidades, em realidades alternativas e universos paralelos.
Mas só temos consciência daquilo que o compromisso com a própria
responsabilidade permite.
Nossa reação condicionada é de ter medo das responsabilidades, como se
maturidade emocional fosse sinônimo de compromissos e sacrifícios. Mas é uma percepção
enganosa baseada em experiências ruins do passado.
O que nos faz sofrer não é ampliar o grau de responsabilidade conosco mesmo.
O que nos faz sofrer é querer ser responsável pelo outro. Sofremos por sabermos se tratarem de variáveis
que não podemos controlar.
Sofremos também quando insistimos em permanecer num estado emocional
menos maduro quando nossa natureza já suporta maior ampliação de consciência.
Sofremos por medo e, por medo de sofrer, sofremos.
Tentar ser responsável pelos outros já nos fez sofrer muito: sacrifícios
não reconhecidos, desconsideração, frustração, impotência, mágoa. Assim
tendemos a temer a responsabilidade sentindo-a como um peso, um desconforto,
algo sufocante e aprisionador.
Mas se somos humildes e resolvemos assumir responsabilidade somente por nós mesmos, a sensação é
oposta. Alívio, leveza, liberdade.
Afinal, só sou responsável realmente por mim mesmo. Amadureço se me
assumo totalmente responsável por esse elemento humano, esse EU, arcando com as
conseqüências de todas minhas escolhas. Aí sinto novamente o poder em minhas
mãos. Sou Rei em mim.
Se escolho amadurecer em responsabilidade, amplio meu grau de
consciência, percebo-me como ser multidimensional. E a cada passo na amplidão
do espectro de consciência, amplio minhas percepções ao ponto de perceber todas
as possibilidades e viver, ao mesmo tempo, todas as sensações de todas
experimentações do personagem que sou em todas as dimensões espaço-temporais.
Percebo as conseqüências de minhas escolhas em cada possibilidade de realidade.
E por questão de respeito próprio opto sempre pelo melhor. Se minha vida é
feliz agora, é feliz sempre.
Assim como o ultimo arcaniano Griffin de “Homens de Preto 3” (MIB 3 –
2012).