sexta-feira, 12 de outubro de 2007


Oito de espadas

A vida é como um jogo de cartas. Canastra por exemplo.
Veja bem, às vezes você sai com um determinado jogo na mão, ou algo em você faz-lhe pensar que um oito de espadas é a carta de que precisa para vencer o jogo.
Aí você passa o tempo todo perseguindo esta carta. Observando o que seus parceiros jogam à mesa ansiando que desprezem seu oito tão almejado. Ou fica alimentando esperanças de que a próxima carta que tirar do monte será o oito que lhe garante a vitória.
Muitas vezes, nessa gana que lhe faz a cabeça, um sete de ouros, que faria jogo com o seu seis e o seu cinco esquecidos no canto da mão, acaba passando despercebido. Justo o sete de ouros que seu oponente estava esperando para completar-lhe a canastra e vencer.
Você perde.
Na vida, por vezes, ansiamos por um acontecimento, uma fagulha que julgamos o necessário para clarear nossos dias. E com essa idéia fixa, outros brilhos acabam passando desapercebidos.
Não raro, o prêmio que a vida tem para nos oferecer é melhor do que esperamos. Não raro, cegos por nossas ambições e idéias fixas, o desprezamos.
Podem os outros aproveitarem ou não aquilo que deixamos passar. O problema é que a carta que queremos pode estar no fundo do baralho, e aí, alguém acaba vencendo o jogo antes da gente.
Pensar no que se poderia ter feito quando o jogo já terminou não nos faz vencê-lo. Mas graças a Deus podemos partir para uma nova rodada. Embaralha-se tudo e dão-se novas cartas.
Se você aprendeu com seus erros, não vai fixar-se num só tipo de jogada e estará pronto para aproveitar tudo que a vida tiver de bom para lhe oferecer.
E quando você estiver despreocupado, sem nada pelo que esperar, quando tiver curado suas ansiedades, lá estará ele, o oito de espadas, pronto para ser pego.
E não importa mais se você ganha ou perde. Simplesmente você gosta é de jogar.

Renato Guenther
25/02/2004

2 comentários:

ebano3 disse...

Oi, Renato!

Como sempre escrebendo bem, hein?
Aqui é o seu amigo e autor iniciante do" Retalhos" Paulo César Moreira.
Fico contente em conhecer este outro lado seu na escrita. Gostei muito e mais que um bom texto, guardo a lição que ele passa.
Abraços!

Maísa Magalhães disse...

Perfeito,Renato!!!Nada como as vezes dar um tempo pra refletir se realmente o que queremos tanto é do fundo do coração...ou se é apenas pra ter a posse daquilo...amei seu texto!!!Parabéns!