quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Eu vi o monstro!

Assisti Cloverfield e fiquei impressionado.
De J. J. Abrams, mesmo produtor da série Lost, mais do que um filme, é uma experiência.
Tratam-se das imagens colhidas numa câmera de vídeo amador. Quem encontrou a câmera? Um dos muitos mistérios.

Como um incrível Big Brother, acompanhamos a festa de despedida de um rapaz e, de repente, um ataque põe todos em desespero. O Monstro do título ataca a cidade.
Somos colocados na aventura pelas mãos de Hud, o cinegrafista amador que não para de registrar um segundo.
O que é o monstro? De onde veio? Um Alien gigante homicida? Um revolto ser oriundo das fendas abissais das profundezas do oceano? Uma arma biológica que fugiu ao controle da armada americana? Um Kraken mitológico, leviatan sedento por sacrifícios humanos? Talvez nunca saibamos.

E assim somos levados até o fim, sem saber direito o que está acontecendo. Isso é o mais legal da experiência, é como se você pudesse partilhar do desespero dos personagens.
Podemos fazer um paralelo com “A Bruxa de Blair” no sentido da linguagem usada: as imagens trêmulas dos registros amadores “feitos” pelos próprios personagens.
Mas não consigo deixar de lembrar do coreano “O Hospedeiro” de Bong Joon-ho. Percebo algumas semelhanças nos monstros, dadas as diferentes dimensões. Porém o desespero, o exército, o toque de recolher, estão todos lá.

E não poderia deixar de lado uma constatação: os americanos adoram filmar sua auto-destruição.

A cena da cabeça da estatua da liberdade sendo lançada ao longe remete-me diretamente à explosão da Casa Branca em “Independence Day”. Logo em seguida outro símbolo vem abaixo, o mesmo que serviu de trono para o incomparável rei Kong, o rei de todos os monstros.

Desde sempre vejo em vários filmes americanos uma sede por autodestruição e calamidade. Um retrato de uma sociedade com sérios problemas de ordem psicológica.. Nunca vi e acho que nem veremos tão cedo um filme brasileiro de um monstro saído da represa Guarapiranga que lance ao longe a cabeça da estátua do Borba Gato lá da Avenida Santo Amaro, pondo em desespero a multidão do Largo 13 de Maio. Apesar de inúmeros outros problemas, inclusive na nossa auto estima, não temos a natureza belissista dos americanos que quando não têm inimigos, tratam de inventar um.

Se você quer uma experiência nova e não tem medo de monstros, assista Cloverfield. É bom.

Um comentário:

sarah disse...

Eu achei a ideia de nao explicar de onde vem o monstro muito boa. Deixou para a imaginacao entender o que aconteceu (o que muitas vezes eh melhor que muita explicacao), alem de fazer o espectador se sentir ainda mais proximo dos personagens. Quanto a "quem achou a fita" se vc prestar atencao vai perceber que no comeco aparece "national security" se nao me engano, "local: area antes conhecido como Central Park". Cloverfield me surpreendeu e muito, realmente nao queria ir assistir (detesto filme de monstro) mas depois que vi quis ir de novo. A proposta dele eh passar toda a adrenalina do acontecimento, como jah muito falado "eh uma experiencia cinematografica". O filme eh puro entretenimento, nao se pode ficar analizando demais. E eh otimo do jeito que eh, se fizerem contuacao estraga.