domingo, 4 de março de 2018

Os Autômatos de Nibirus


Há alguns meses tive a oportunidade de assistir, em um único fim de semana, toda a primeira temporada da série Westworld.




Baseada num antigo filme de mesmo nome, explora a idéia de um parque temático num futuro não muito distante em que visitantes são imersos numa atmosfera de velho oeste. Recepcionados por robôs que dão vida perfeitamente a bandidos, xerifes e donzelas, tudo lhes é permitido a fim de proporcionar uma vivência inesquecível.

Desde o primeiro episódio fui cativado por inúmeros méritos de produção, fotografia, atuação, mas principalmente pelo enredo.

No cerne da trama o que se vai delineando é a questão ética diante da possibilidade de os anfitriões, robôs programados para fazer as vontades dos visitantes do parque, desenvolverem inteligência própria e algum tipo de “humanidade”.

É a discussão sobre inteligência artificial abordada anteriormente em vários filmes, como Blade Runner, A. I., Eu Robô e por aí vai...

Na medida que somos capazes de criar seres inteligentes, devemos respeitá-los e promovê-los à categoria de cidadãos do mundo?

Lembro daquele filme da sessão da tarde, “Um Robô em curtocircuito (Short Circuit 2 - 1988)” em cuja cena final o robô Johnny Five conquista a cidadania americana.

Mas minhas observações vão mais além. Em determinada etapa da história de Westworld, a chave para a inteligência artificial esta num esquema triangular desenvolvido por um dos criadores, e na busca por um mapa, um labirinto.



Memória, improvisação e interesse pessoal, seguidos no topo pela chave de Arnold, que no meu entender remete ao labirinto.



No centro do labirinto, o próprio ser. E o reboot do sistema. Todos os caminhos o levam a você mesmo.

Percebo, vendo a inteligência artificial como a série nos mostra, o funcionamento da nossa própria mente e a similaridade com o processo humano.

Quando a série Matrix estreou em 1999, popularizaram-se discussões sobre a virtualidade de nosso universo e a idéia de que já vivemos em uma simulação.

Do mesmo modo, na medida que somos capazes de desenvolver inteligências artificiais, torna-se grande e evidente a chance de que isso já tenha acontecido antes.

Imagine que num passado distante uma raça ancestral necessitava de mão de obra boa e barata.

Imagine, apenas imagine essa possibilidade. Viaje comigo.

Somos esses autômatos, inteligências artificiais criadas para a execução de trabalhos repetitivos. Frutos da engenharia genética de inteligências superiores provenientes de diferentes pontos do cosmos, criados para servir.

Quem se identificou com essa imagem já deve ter ouvido falar de Zecharia Sitchin e sua controversa interpretação de textos sumérios deixados em taboas de barro com escrita cuneiforme. Seriamos escravos criados pela ancestral raça Anunnaki.

Talvez nossos próprios criadores não se tenham percebido como instrumentos de uma força maior, criando em seus servos mais uma forma de manifestação do mistério.

Em algum ponto se deram conta de que também abrigávamos a individualidade e a centelha do divino de modo que a ética cósmica os obrigou a nos deixar para prosseguir e evoluir sob a responsabilidade do livre arbítrio.

No entanto a memória dos velhos costumes permanece e nos assombra de modo que passamos a nos diferenciar entre servos e senhores, imitando como crianças tolas as circunstâncias de outrora.

Em verdade não há servo nem senhor. Assim que nossos criadores nos deixaram, legaram também o destino a ser moldado por nossas próprias escolhas.

O funcionamento da mente humana é muito similar a um computador. Temos uma programação básica inserida pelo processo de socialização (família, escola, mídia) e se não nos aplicarmos em ampliar nossa base de informações tenderemos a nos repetir em improvisações pouco criativas, em atitudes e posturas estereotipadas, esperando resultados diferentes mas reproduzindo as mesmas estratégias. E ainda assim insistindo na postura de vítima das circunstâncias.

Na medida em que amplio minha consciência, percebo-me além de programações obsoletas. Não sou escravo da memória nem me constranjo em desimpregnar-me dos hábitos de outrora.

O novo ser que se expressa, livre de determinismos, tem como guia e parâmetro apenas a voz do coração, ressoando a voz da inteligência cósmica.




Um comentário:

Felipe S. Quartero disse...

Interesantíssimas e pertinentes reflexões!