sábado, 23 de outubro de 2010

Apesar de muito interessado na espiritualidade e em assuntos místicos e mitológicos, não sou um cara religioso. Passo longe das religiões e seus dogmas despóticos.

No entanto, nesta ultima segunda-feira, indo pro trabalho sob um céu nublado e escuro, fui tomado de uma inspiração quase evangélica de tão divina.

Afinal, também sou poetinha! Com vocês, em primeira mão, um breve poema:

Alma Perdida

Num dia chuvoso vi,

no céu nebuloso, uma luz cintilar.

Um anjo tristonho desceu.

Suas asas moveu pairando no ar.

Mirando-me os olhos ao fundo

falou-me do mundo em tom devagar.

Chorando, contou-me suas mágoas.

Encharcou-se nas águas de origem polar.

Confessou ressentir-se dos homens,

mulheres e jovens de todo lugar.

Sentia sua alma perdida,

de mal com a vida, vendo o fim triunfar.

Humilde, falei-lhe do divino.

Cantei-lhe um hino que aprendi no meu lar.

Lembrei-o da vontade infalível,

Do ser invencível que nos deu o dom de errar,

na certa mantendo a esperança

de que à sua semelhança aprendamos a perdoar.

Logo, o sábio não teme o fim,

pois sabe que assim pode recomeçar.

O pranto do amigo alado

foi posto de lado com seu soluçar.

Sorrindo o anjo sumiu

e o céu se abriu num conluio estelar.

Cantando consolei a um anjo

tocando meu banjo sob a luz do luar.

Senti em sua presença invisível

que tudo é possível, basta acreditar.

(Renato Guenther - 18/10/2010)

Um comentário:

Kleber Godoy disse...

Olá,

Interessante estas ideias que nos vem do... nada, não?

Publicar epifanias é bom tbem...

Abraços e até breve...

Kleber